Este fim-de-semana, ficou mais claro do que nunca as razões que conduziram ao despedimento de Paulo Bento. Durante anos, o ex-treinador do Sporting foi criticado pelo facto de não ter um plano B. Como ficou patente no segundo golo contra o Vitória de Setúbal, o Sporting, agora sim, tem uma estratégia alternativa: quando não consegue marcar golo com a bola dentro das quatro linhas, constrói belas jogadas de golo nos arredores do terreno de jogo. Se pensarmos bem, há todo um mundo lá fora para explorar em termos futebolísticos.
Passadas algumas semanas, é já abissal a diferença entre o futebol de Paulo Bento e o de Carlos Carvalhal. O primeiro era acusado de falta de profundidade; o segundo tem tanta profundidade que até se fazem passes para golo na zona dos repórteres fotográficos. Se bem que não posso dizer que tenha sido a primeira vez que vi um golo assim. Lembro-me perfeitamente de, na épkoca passada, também ter assistido a uma assistência feita a partir de uma zona do campo muito atrás da baliza. Foi no Benfica-Óquei de Barcelos.
Seja como for, o novo treinador do Sporting já está a mostrar serviço, apesar de não ter sido a primeira escolha da direção. Como se sabe, o clube de Alvalade primeiro tentou André Villas-Boas, ex-adjunto de José Mourinho, e só depois convidou Carlos Carvalhal, também ele alguém que tem uma relação pessoal com o treinador do Inter. No fundo, o que José Eduardo Bettencourt queria era um sucedâneo de Mourinho. Se Carvalhal tivesse recusado, a terceira opção para treinar o Sporting seria o sobretudo da Armani. Como não dá para ter o Mourinho, contrata-se um desmourinhado.
Por Miguel Góis, Edição 10 de Dezembro 2009 - Jornal "Record"

