sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009

Desmourinhado

Este fim-de-semana, ficou mais claro do que nunca as razões que conduziram ao despedimento de Paulo Bento. Durante anos, o ex-treinador do Sporting foi criticado pelo facto de não ter um plano B. Como ficou patente no segundo golo contra o Vitória de Setúbal, o Sporting, agora sim, tem uma estratégia alternativa: quando não consegue marcar golo com a bola dentro das quatro linhas, constrói belas jogadas de golo nos arredores do terreno de jogo. Se pensarmos bem, há todo um mundo lá fora para explorar em termos futebolísticos.

Passadas algumas semanas, é já abissal a diferença entre o futebol de Paulo Bento e o de Carlos Carvalhal. O primeiro era acusado de falta de profundidade; o segundo tem tanta profundidade que até se fazem passes para golo na zona dos repórteres fotográficos. Se bem que não posso dizer que tenha sido a primeira vez que vi um golo assim. Lembro-me perfeitamente de, na épkoca passada, também ter assistido a uma assistência feita a partir de uma zona do campo muito atrás da baliza. Foi no Benfica-Óquei de Barcelos.

Seja como for, o novo treinador do Sporting já está a mostrar serviço, apesar de não ter sido a primeira escolha da direção. Como se sabe, o clube de Alvalade primeiro tentou André Villas-Boas, ex-adjunto de José Mourinho, e só depois convidou Carlos Carvalhal, também ele alguém que tem uma relação pessoal com o treinador do Inter. No fundo, o que José Eduardo Bettencourt queria era um sucedâneo de Mourinho. Se Carvalhal tivesse recusado, a terceira opção para treinar o Sporting seria o sobretudo da Armani. Como não dá para ter o Mourinho, contrata-se um desmourinhado.


Por Miguel Góis, Edição 10 de Dezembro 2009 - Jornal "Record"

quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009

O maior do Mundo!

São sete os clubes míticos no Mundo. São clubes que têm, nos seus países, dimensão nacional e não matriz regional. Têm mais de 10 milhões de adeptos espalhados pelos cinco continentes. E quais são esses clubes? São o BENFICA, o Real Madrid, o M. United, a Juventus, o Bayern Munique, o FLAMENGO e o Boca Juniors.

Este fim-de-semana, não assisti ao triunfo categórico do meu Benfica sobre a Académica. E porquê? Porque, no Rio de Janeiro, tive o irrepetível privilégio de assistir, também em pleno Maracanã, à reconquista do campeonato brasileiro pelo Flamengo, ao cabo de 17 anos de jejum.

O que há de semelhante no Flamengo e no Benfica? Dois clubes míticos à escala planetária? Até chega, mas não é só isso. É a mística, é a componente popular, é a assunção dos valores nacionais, é realmente uma religião. Mais a garra, mais a festa, mais a alegria, a coreografia, os cânticos alegres, muito ritmo, muitas mulheres bonitas e uma resistência física inigualável. Ninguém parou de cantar e dançar, desde duas horas antes até ao apoteótico final do jogo! Realmente não há no Mundo claques iguais no apoio às suas equipas. Tenho a certeza que neste aspeto o próximo Mundial'2014 vai ter sucesso garantido.

Na Cidade Maravilhosa associei-me às comemorações protagonizadas por milhões de entusiastas. A loucura tomou conta da cidade. A atmosfera era contagiante. E qual foi o pensamento que mais vezes me ocorreu? O gigantesco arraial que projeto, em Portugal, lá para o mês de maio. O arraial do Benfica campeão.


Por Luís Seara Cardoso, Edição 25 de Novembro 2009 - Jornal "Record"

sábado, 5 de Dezembro de 2009

Ai as mentiras...

retirado do blogue "Visão de Mercado":

Com o mês de Janeiro cada vez mais próximo, a tentação de se inventar noticias e especular sobre contratações por parte dos jornais, é cada vez maior.

Hoje o jornal Record, publica que o Benfica está interessado em Franco Jara (ler aqui), um avançado que faz parte da selecção sub20 da Argentina e que segundo este jornal jogou muito bem no Mundial sub20 do Egipto. O problema é que a Argentina não esteve presente no último Mundial sub20, o que me deixa algo intrigado, se ele jogou muito bem, mas se a Argentina não esteve presente, no que ficamos?

Claramente, o mau jornalismo é cada vez mais evidente em Portugal. Estamos claramente a viver a chamada política do vale tudo, para se vender mais jornais.

sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

Peanuts

Esta época, não é fácil detetar uma crise no futebol do Benfica. Se o observador mais atento não se aplicar verdadeiramente, corre o risco de não dar por ela. Uma ida à casa de banho na altura errada pode deitar tudo a perder. Tenho um amigo que foi até à janela fumar um cigarro, durante o Benfica-Vitória de Setúbal, e perdeu "a grande crise de concretização" que atingiu o clube da Luz entre o sexto e o sétimo golo. Nunca mais me esqueço: foram quarenta e cinco segundos sem uma jogada, uma ideia. Esse meu amigo ainda hoje não sabe a sorte que teve.

Nesse ponto, honra seja feita aos sportinguistas, que foram bem mais expeditos que os adeptos do Benfica a vislumbrar sinais de decadência no rendimento da equipa de Jorge Jesus. Não é difícil perceber porquê - no seu dia-a-dia, os sócios do Sporting estão bem mais atentos e preocupados com o que se passa na Luz do que a generalidade dos benfiquistas. Pessoalmente, quando quero saber algum pormenor mais obscuro sobre o desempenho do Felipe Menezes no último treino, pergunto sempre ao sportinguista que está no café a ler o jornal "O Benfica".

Dito isto, se é mesmo verdade que o futebol da equipa da Luz passa por uma crise profundíssima, limito-me a lamentar o seu timing. Se o Benfica tivesse atravessado uma crise semelhante na época passada, de janeiro a maio, teríamos sido campeões. Estas péssimas jogadas e estes remates defeituosos ter-nos-iam dado um jeitão no ano passado.

Por Miguel Góis, Edição 3 de Dezembro 2009 - Jornal "Record"

quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

Apoie a petição pelo Dia da Águia!

O Sport Lisboa e Benfica está a apoiar a petição que pretende que seja instituído o Dia da Águia em Portugal. A iniciativa é da WWF que tem como missão a conservação da floresta e da sua biodiversidade no nosso País.

O perigo de extinção da Águia Imperial e a necessidade urgente de protecção do seu habitat natural - os montados e bosques de sobreiro e azinheira – conduziram a referida organização a avançar com uma petição em Junho de 2009.
A petição ‘Pela Águia Imperial’ será entregue na Assembleia da República Portuguesa quando estiverem reunidas as 4000 assinaturas necessárias.

O Sport Lisboa e Benfica não podia, naturalmente, passar ao lado desta iniciativa, já que tem a Águia no seu símbolo. Além disso, a Águia Vitória de Juan Bernabé é responsável pelo momento mais esplendoroso que se vive antes dos encontros do Estádio da Luz.

Para evitar o desaparecimento da Águia Imperial, assine já AQUI a petição da WWF.

Betinho de Chelas

Desde o dia 5 de junho, altura em que foi eleito presidente do Sporting, José Eduardo Bettencourt experimentou praticamente todas as modalidades do clube, defendeu que o fundo do Benfica era uma vergonha, saltou enquanto entoava cânticos da Juve Leo, defendeu que o fundo do Benfica era um caminho possível para o Sporting, virou-se para um adepto no aeroporto e gritou "Está calado, pá!", tocou maracas ao som do hino do Sporting, disse que Angulo é um jogador magnífico (algo em que, segundo alguns relatos, nem o próprio jogador acredita), ameaçou fisicamente um sócio nas instalações do clube, e falou publicamente em "cretinos", "anormais", "energúmenos", "chulos", "cagança", "porcaria" e "corno". Não posso dizer que esteja surpreendido - há muito que sei que um sportinguista é capaz de tudo para provar que o Sporting não é o clube dos aristocratas.

Ao contrário dos seus predecessores na presidência, José Eduardo Bettencourt parece querer mesmo pertencer ao mundo do futebol. Para isso, sabe que tem de deixar a sua origem social à porta do Estádio de Alvalade. O presidente do Sporting é, no mundo do futebol, o equivalente àqueles cinquentões que querem parecer jovens e cosmopolitas e por isso não param de dizer palavrões. A única diferença é que José Eduardo Bettencourt se está a sair muito bem na tarefa: fez mais em seis meses pela má fama do futebol português do que seis meses de futebol português, o que dá uma ideia do mal que tem feito. Se bem que não pretendo com este comentário pôr em causa o seu trabalho como presidente do Sporting; pelo contrário, considero que deve continuar na presidência. Só acho que devia haver no Sporting um outro presidente, cuja principal função seria silenciar José Eduardo Bettencourt.

Por Miguel Góis, Edição 26 de Novembro 2009 - Jornal "Record"

quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

Queremos ganhar!

A derrota do Benfica, na Luz, frente ao V. Guimarães, obriga a que os habituais últimos elogios sejam trocados por críticas? Nem pouco mais ou menos. O Benfica dos triunfos, o Benfica das goleadas, o Benfica das exibições categóricas, esse Benfica é este mesmo Benfica que foi eliminado da Taça de Portugal. Imprevistamente eliminado.

Claro que o desempenho não esteve ao nível de outros, mormente na primeira metade. Ainda assim, em desvantagem no marcador, na etapa complementar, o Benfica foi um coletivo homogéneo, incansável, lutador. Era preciso mais? Se calhar até era, sobretudo um lance, pelo menos um lance menos aziago na área do opositor. Foi uma enxurrada de futebol ofensivo, mas faltou um pouco de sorte num qualquer ressalto, numa qualquer segunda bola.

Não há equipas que sempre ganhem, importante é que haja equipas que sempre queiram ganhar. O Benfica perdeu, mas perdeu querendo ganhar. Como vai ser o Benfica, sábado próximo, em Alvalade? Um Benfica que vai querer (muito) ganhar. E consegui-lo-á? Essa é a minha convicção. Não acredito em dois jogos consecutivos marcados pela desdita, não acredito em duas derrotas consecutivas deste Benfica. Sem menosprezo pelo Sporting, Alvalade só pode assistir à reabilitação do Benfica. E isso valerá uma vitória, uma vitória decisiva nesta fase da Liga.

Por Luís Seara Cardoso, Edição 25 de Novembro 2009 - Jornal "Record"